
Salmo 42: a alma que tem sede
Dia 11 de 21 da série Sete Salmos. Ouça aqui mesmo, sem cadastro. Mais abaixo, o texto do episódio, uma oração e de onde vem cada informação.
Narração feita por computador. O texto do episódio é escrito e conferido com as fontes pela redação.
Assim como o cervo brama pelas correntes das águas, assim brama a minha alma por ti, ó Deus!
2A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo: quando entrarei e me apresentarei ante a face de Deus?
3As minhas lágrimas servem-me de mantimento de dia e de noite, enquanto me dizem constantemente: Onde está o teu Deus?
5Por que estás abatida, ó alma minha, e por que te perturbas em mim? Espera em Deus, pois ainda o louvarei pela salvação da sua face.
Salmo 42 (41):1-3, 5Texto da tradução Almeida de 1904, com a grafia de hoje.
Entre parênteses, o número do salmo em algumas Bíblias católicas.
O título diz: Masquil para o cantor-mor, entre os filhos de Coré, a família de cantores que conhecemos no Salmo 46, no dia 4. Com ele começa a segunda das cinco partes do livro dos Salmos.
É um lamento, e usa a própria palavra no versículo 9: por que ando lamentando? O refrão do versículo 5 volta no versículo 11 e no fim do Salmo 43, que não tem título. Em alguns manuscritos hebraicos antigos, os dois aparecem como um salmo só.
A palavra-chave é alma, que aparece seis vezes. Em hebraico, néfesh: o dicionário de Strong a define, antes de tudo, como um ser que respira. A alma do salmo tem sede, chora e se abate. E o verbo do versículo 1 se repete no hebraico, como na Almeida: o cervo brama, a minha alma brama. No livro dos Salmos, esse verbo só aparece aqui.
Agostinho, nas Exposições sobre os Salmos, conta que no tempo dele este salmo era cantado para os catecúmenos, os que corriam para o batismo como o cervo para a fonte. No Missal Romano, versículos dele são cantados na Vigília Pascal. Judeus sefarditas o rezam nas duas primeiras noites de Sucot, a Festa das Tendas. E o Livro de Oração Comum, dos anglicanos, o indica para a tarde do oitavo dia do mês. Na numeração grega, é o Salmo 41.
O salmista faz uma coisa pouco comum: conversa com a própria alma. Pergunta por que ela está abatida e depois dá uma ordem: espera em Deus.
E o refrão volta três vezes. A tristeza não passa na primeira pergunta, nem na segunda.
Agostinho repete o que se contava dos cervos no tempo dele: ao atravessar a água, um apoia a cabeça no outro, e o da frente, quando cansa, passa para o fim da fila. E lembra a frase de Paulo: levai as cargas um dos outros.
Talvez hoje o convite seja duplo: falar com a própria alma com esperança, e deixar alguém ajudar a carregar.
Se quiser, reze com estas palavras, escritas pela nossa redação.
Deus vivo, a minha alma tem sede de ti, e às vezes eu nem sei dizer do quê. Quando eu estiver abatido, ensina-me a falar comigo mesmo com esperança. Quando me perguntarem onde estás, que eu não desista de te procurar. Dá-me alguém para carregar comigo o que pesa, e faz de mim alguém que carrega o peso de outro. Amém.
Amanhã, o Salmo 63, o de quem busca a Deus de madrugada.
De onde vem o que você ouviu8 fontes
Cada informação do episódio, com o livro, o autor e o ano. Os links levam à fonte.
- iTexto bíblico: A Biblia Sagrada, trad. João Ferreira de Almeida, Edição Revista e Corrigida, American Bible Society, Nova York, 1904, com a grafia de hoje.Bíbliaarchive.orgarchive.org (texto)
- iiDivisão do livro, manuscritos e usos do salmo, verbete «Psalm 42».Pesquisa históricaen.wikipedia.org
- iiiAs cinco partes do livro dos Salmos, verbete «Psalms».Pesquisa históricaen.wikipedia.org
- ivTexto hebraico: Westminster Leningrad Codex 4.20, Open Scriptures Hebrew Bible.Pesquisa históricaraw.githubusercontent.com
- vJames Strong, A Concise Dictionary of the Words in the Hebrew Bible (1894), edição digital Open Scriptures.Pesquisa históricaraw.githubusercontent.com
- viAgostinho, Exposition on Psalm 42, NPNF 1ª série, vol. 8 (1888).Patrísticanewadvent.org
- viiVulgata, Liber Psalmorum (saltério galicano, grafia da edição de Stuttgart).Tradição católicathelatinlibrary.com
- viiiGravura: Gustave Doré, Agar e Ismael no deserto, 1866, via Wikimedia Commons.Arte livre para todoscommons.wikimedia.org
Achou um erro? Conte para a gente.
Ouça até o fim, ou toque em «Marcar o dia», para começar a sua sequência.
A sua sequência fica só neste celular ou computador. Ela não vem para nós, e some se você limpar os dados do navegador.
Três dias seguidos. Em breve, o episódio no seu e-mail.
Em breve, no seu e-mail
Logo o episódio vai chegar todo dia no seu e-mail, com o texto e as fontes, e depois pelo WhatsApp. Sem senha e sem pergunta sobre igreja.
As inscrições por e-mail abrem em breve. Por enquanto, todos os episódios ficam aqui no site, de graça, sem cadastro.