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TEU DEUS
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Gravura de Gustave Doré: no alto, um velho de barba branca montado num camelo enfeitado; à frente, uma mulher com um cântaro pendurado numa vara; à direita, duas mulheres com cântaros na cabeça; à esquerda, um pastor de cajado erguido aponta o caminho; ovelhas enchem toda a parte de baixo; céu escuro com uma faixa de luz.
Gustave Doré, «Jacó vai para o Egito», 1866. Origem
Sete Salmos, dia 18

Salmo 100: somos dele

Salmo 100 (99) · 3 min 27 s

Dia 18 de 21 da série Sete Salmos. Ouça aqui mesmo, sem cadastro. Mais abaixo, o texto do episódio, uma oração e de onde vem cada informação.

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Narração feita por computador. O texto do episódio é escrito e conferido com as fontes pela redação.

Leitura

Celebrai com júbilo ao Senhor, todas as terras.

2Servi ao Senhor com alegria; e entrai diante dele com canto.

3Sabei que o Senhor é Deus: foi ele que nos fez, e não nós outros a nós; somos povo seu e ovelhas do seu pasto.

5Porque o Senhor é bom, e eterna a sua misericórdia; e a sua verdade dura de geração em geração.

Salmo 100 (99):1-3, 5

Texto da tradução Almeida de 1904, com a grafia de hoje.
Entre parênteses, o número do salmo em algumas Bíblias católicas.

A Almeida chama este salmo de salmo de louvor. No hebraico, o título é mizmor letodá. Todá, no dicionário de Strong, é confissão e louvor, e também a oferta de ação de graças. É o único salmo com esse título, lembra Spurgeon. E a palavra volta no versículo 4: entrai pelas portas dele com louvor.

Celebrai com júbilo é uma palavra só no hebraico, que Strong define como gritar, de alegria ou de alarme. É o grito de súditos quando o rei aparece, escreveu Spurgeon.

Agora, o versículo 3. O texto hebraico guarda ali duas formas. A que está escrita diz lo, com a letra álefe: e não nós. A que se lê, pela nota dos massoretas, diz lo, com a letra vav: e dele somos. Uma letra de diferença. A Almeida de 1904 seguiu a escrita, como a Vulgata. Traduções mais novas, como a NIV, em inglês, seguem a lida. Matthew Henry juntou as duas: se foi ele que nos fez, e não nós, então não somos nossos. Somos dele.

Na maior parte dos ritos judaicos, o salmo é rezado nas manhãs comuns, mas não no sábado nem nas festas: nesses dias, o templo não recebia a oferta de ação de graças. Na Liturgia das Horas católica, ele pode abrir a oração do dia. E, em inglês, virou o hino All people that on earth do dwell, cantado com a melodia do Old Hundredth.

Somos dele. Numa frase tão curta, cabe a história de uma letra. Uns leram: foi ele que nos fez, e não nós. Outros leram: foi ele que nos fez, e dele somos. As duas dizem a mesma coisa, de dois jeitos: ninguém se fez sozinho, e ninguém pertence só a si mesmo.

O salmo manda servir com alegria. Não finge que a vida é fácil. Dá um motivo: o Senhor é bom, e a sua verdade dura de geração em geração.

Talvez hoje o convite seja dizer, antes de começar o dia: não me fiz sozinho. Sou dele.

Oração

Se quiser, reze com estas palavras, escritas pela nossa redação.

Senhor, foste tu que me fizeste, e não eu a mim mesmo. Sou teu, e das tuas ovelhas. Tira de mim o orgulho de quem pensa que se fez sozinho. Dá-me alegria para te servir e voz para te agradecer. E que a tua verdade passe de mim aos que vêm depois. Amém.

Amanhã, o Salmo 130, o que clama das profundezas.

De onde vem o que você ouviu12 fontes

Cada informação do episódio, com o livro, o autor e o ano. Os links levam à fonte.

  1. iTexto bíblico: A Biblia Sagrada, trad. João Ferreira de Almeida, Edição Revista e Corrigida, American Bible Society, Nova York, 1904, com a grafia de hoje.Bíbliaarchive.orgarchive.org (texto)
  2. iiTexto hebraico: Westminster Leningrad Codex 4.20, Open Scriptures Hebrew Bible (com a marcação de ketiv e qere).Pesquisa históricaraw.githubusercontent.com
  3. iiiJames Strong, A Concise Dictionary of the Words in the Hebrew Bible (1894), edição digital Open Scriptures.Pesquisa históricaraw.githubusercontent.com
  4. ivC. H. Spurgeon, The Treasury of David, Psalm 100 (com a nota de Matthew Henry).Tradição protestante históricaarchive.spurgeon.org
  5. vVulgata, Liber Psalmorum (saltério galicano, grafia da edição de Stuttgart).Tradição protestante históricathelatinlibrary.com
  6. viTraduções, usos judaicos e hinos, verbete «Psalm 100».en.wikipedia.org
  7. viiSalmos das manhãs, verbete «Pesukei dezimra».Tradição judaicaen.wikipedia.org
  8. viiiInstrução Geral da Liturgia das Horas, n. 34 (texto inglês, cópia do Internet Archive).Tradição católicaweb.archive.org
  9. ixA melodia, verbete «Old 100th».Tradição protestante históricaen.wikipedia.org
  10. xGravura: Gustave Doré, Jacó vai para o Egito, 1866, via Wikimedia Commons.Arte livre para todoscommons.wikimedia.org
  11. xiTítulo da gravura na edição original: La Sainte Bible selon la Vulgate, Tours, Alfred Mame et fils, 1866, tomo 1, «Table des gravures» (exemplar da Bibliothèque nationale de France no Internet Archive).archive.org
  12. xiiSl 100:5 · Almeida de 1904, grafia de hoje; «as duas dizem a mesma coisa, de dois jeitos»: leitura da redaçãoNossa leitura

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